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Grávida aos 40? Sim, e se segure!


“Não é climatério,” minha médica anunciou e completou: “Seus sintomas vão desaparecer em 9 meses."


Olhei estarrecida para ela. A náusea voltou forte e a tontura, recomeçou. Nas últimas semanas eu vinha sentindo uma cólica terrível, daquelas de menstruação encruada. Nas aulas de hidroginástica, as ondas da água da piscina sempre me causavam enjoou e eu saía correndo para o banheiro. No início achei que era labirintite, mas, na frente da médica, vi que meu diagnóstico era incorreto.


Tive medo. Aquela era minha terceira gravidez. No primeiro parto, sofri uma grande hemorragia. Depois do segundo, a médica me desaconselhara a tentar uma terceira gravidez porque meu útero estava fino demais e quase tinha rompido no final da gestação. Nas palavras da Dra. Marília, o útero parecia uma folha de papel de seda. E ali estava eu, recebendo a notícia de que carregava outra criança.


Passado o choque inicial, ela me acalmou e me explicou o plano para que eu não corresse risco de rompimento uterino. Iríamos tratar normalmente a gestação, mas, no terceiro trimestre, ela iria me medicar para que eu não tivesse contrações, o que poderia ser problemático. Eu confiava na médica e acreditava que Deus não me dera mais um filho, aos 40 anos, à toa. Mal eu sabia que o que passaria naquela gestação de 36 semanas não seria tão tumultuado quanto os primeiros anos do filho que viria balançar o coreto.


Minhas duas gravidezes anteriores correram como o esperado: enjoo no primeiro trimestre, alegria no segundo e cansaço e azia no terceiro. Mas meu Lucas já mostrava ao que vinha no dia em que o ovo implantou no meu útero. Fazendo uma retrospectiva das semanas que antecederam à visita à ginecologista, eu e minha cunhada lembramos da vertigem forte que eu tinha sentido num jantar de família. Essa vertigem de implantação do ovo tinha acontecido nas gravidezes anteriores, mas, como na minha cabeça eu já caminhava para o climatério, não relacionei uma coisa com a outra.


Depois disso, meu humor mudou (para pior, claro), minha cintura tão bem trabalhada nas aulas de hidroginástica sumiu e tomei nojo das minhas comidas preferidas. As únicas coisas que eu conseguia comer eram os pratos de um restaurante sírio num shopping do meu bairro. As duas donas do negócio já sabiam o que colocar na quentinha quando meu marido chegava lá desesperado para levar para casa esfiha e tabule para a mulher chorosa e mal-humorada. Não sei ao certo quantos litros de suco de caju tomei na curta gestação. Minha pressão sanguínea caía sem motivo aparente e eu vivia me arrastando pelos lugares aonde ia. Na 26ª semana, ainda enjoada e tonta, tive um sangramento. Corri para o pronto-socorro, mas o ultrassom não apresentou nada de grave. A recomendação do médico de plantão, confirmada pela minha médica, foi: repouso absoluto nas semanas seguintes.


Enjoada, mal-humorada, cansada, passei as semanas seguintes de repouso. Na consulta do mês, levei uma bronca da médica porque eu tinha engordado muito. Sério? Quase ri! Minha hidroginástica, que manteve meu peso controlado durante anos, não fazia mais parte da minha rotina. Pulei de comida síria para strogonoff – era o que eu tolerava. Com quarenta anos, não esperava manter o peso invejável da minha primeira gravidez e não teria a perda rápida como aconteceu depois da segunda.


A 30ª semana anunciou contrações. Entrei em pânico – e se meu útero rompesse? Passei a tomar remédio para controle das contrações, mas ficava com palpitação, um dos efeitos colaterais do tratamento. Eu continuava enjoada, mal-humorada, muito cansada e agora estava gorda!


Seis semanas depois, no Dia das Mães, meu furacão chamado Lucas avisou que já estava cansado de ficar espremido na minha barriga. No dia seguinte, ele chegou ao mundo – mas direto para uma incubadora. Não respirava direito. Na UTI neonatal, ele era chamado de bebê gigante por dividir espaço com os prematuros. Liguei para minha pediatra, a maravilhosa Dra. Vânia, e ela, depois de uma visita à UTI, me garantiu que o Lucas ficaria bem no prazo de uma semana. Dois dias depois, os médicos se surpreenderam com a rápida melhora do meu bebê gigante. Tivemos alta.


Nas consultas seguintes à pediatra, ela ficava maravilhada com o desenvolvimento do meu pimpolho: tudo com ele acontecia rápido demais. Desde cedo, já se virava, sentava e, com dez meses, andou, ou melhor, correu. Com um ano, ele já trocava sua própria fralda (agora imaginem a lambança!) e fazia sua própria mamadeira. Eu não podia tirar os olhos que ele, em sua independência precoce, aprontava alguma. Se precisasse se lavar, não tinha dúvidas – usava o vaso sanitário. Também matava sua sede ali. A primeira palavra que ele aprendeu foi “não”. A gente dizia que o Lucas tinha vários “nãos” engatilhados na língua. Queria sempre fazer as coisas a seu modo.

Meu furacão Lucas causava sensação por onde passava. Levá-lo a festas era uma fonte constante de vergonha: ele esculhambava com a decoração, expunha os truques dos mágicos e devolvia para as travessas os salgadinhos de que não gostava, depois, claro, de dar umas mordidas. Eu vivia cansada de correr atrás do menino. Na escola, as professoras ficavam de cabelo em pé. Imagino se algumas delas reivindicaram aumento de salário para cuidar do meu filho.


Quando mudamos para o Canadá, Lucas tinha três anos. Sua fala ainda não tinha se consolidado na língua-mãe e aprender uma nova língua gerou uma série de problemas que contornei com a ajuda de uma compreensiva fonoaudióloga. No ano seguinte, uma das professoras sugeriu que eu levasse o Lucas ao médico para ser tratado de hiperatividade. Considerei a sugestão, mas, como sou curiosa e cética, resolvi investigar a questão. Minha pergunta principal era: por que meu filho explorava seu mundo com tanta avidez? A minha pesquisa me levou ao educador, Sir Ken Robinson. Ouvi suas palestras no YouTube e li seu magnífico livro “The Element” (O Elemento). Nele, Sir Robinson explica que o elemento do indivíduo está na interseção da paixão com seus talentos, e ele só se sente realizado nesse “elemento”. Talvez, pensei, meu filho não fosse hiperativo, mas apenas inconformado com o mundo desinteressante da escola, assunto que o educador também aborda.

Sou educadora. Mas foi meu papel de mãe que me levou a buscar respostas e embarcar em uma viagem exploratória para entender o “elemento” do meu filho-furacão. Nessa busca, contei, finalmente, com a ajuda de dois professores da escola primária que conseguiram ver um Lucas além da sua hiperatividade. Trabalhamos juntos para entender os talentos de meu filho e o estimular no que eram suas paixões: ciência, música, línguas e desenho. Canalizei a energia dele para esses “elementos” e o vi desabrochar.


Hoje, meu Lucas é um adolescente. Ele vive em um mundo que ele criou onde há música (ele toca saxofone, piano e compõe), história (seu mundo paralelo é o Império Bizantino) e desenho (ele cria personagens e histórias no estilo cartoon). Seus olhos brilham quando canta o Hino Imperial Russo, em russo claro, e corre os dedos pelo teclado em sua interpretação de Fados Portugueses e Bossa Nova. Ele vive em mundos diferentes a cada semana e coleciona bandeiras desses mundos: Bizâncio, Itália, Portugal, Brasil, Canadá e um número de países que visitamos nesses anos. Sozinho, ele aprende holandês e arranha russo. Sente orgulho da língua portuguesa e fala inglês como ninguém.


Aos quarenta anos, pronta para enfrentar o climatério, Deus me deu um presente. Meus filhos são meus tesouros, minha herança divina.

Com o Lucas, aprendi que a maternidade é feita do prazer de descobrir um ser humano desconhecido que Deus nos entrega para explorarmos todo seu potencial. Nada como uma criança totalmente fora dos padrões para nos ensinar belas lições de vida.


© Luisa Cisterna, Calgary/2019



Luisa é mãe orgulhosa de Tiago de 22 anos, Débora de 20 e Lucas, 15. Ela e seu marido decidiram, em 2016, criar seus filhos no Canadá. Para ela, não há nada mais prazeroso do que a maternidade. Com seu ninho dando sinais de que ficará vazio, Luisa embarcou na carreira de escritora e já tem dois romances publicados no Amazon: “Amor em Construção” e “Quando Você Voltou”. Educadora de adultos, ela é especializada em English as a Second Language e trabalha há 12 anos em um prestigiado College de Calgary, Canadá, onde ensina inglês e cultura canadense a imigrantes como ela.

Siga Luisa no Instagram @luisacisterna_ e Facebook, Luisa Cisterna

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