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Batendo por dentro

Atualizado: 11 de Mar de 2019




Quando eu era criança, às vezes eu me sentia um pouco maluca. Parecia que todo mundo na quarta série se ocupava de seus próprios assuntos – escrevendo nos livros de exercícios de matemática, sentados em carteiras todas enfileiradas. Meus colegas de turma cheiravam borrachas fedorentas e assistiam o professor escrever no quadro-negro, enquanto eu estava ocasionalmente arrebatada por uma forma diferente de observar o meu entorno. Alguma coisa dentro de mim estava batendo e batendo para sair. Algo em mim se perguntava sobre o conceito de piscar, o jeito miraculoso que meus olhos se abrem e fecham, por si sós. Eu me perguntava como e porquê nós estávamos lá, de alguma forma vivos na sala de aula, olhando uns para os outros com conjuntos similares de globos oculares, ouvindo uns aos outros com anexos de formato estranho chamados orelhas. Às vezes, eu me maravilhava com o fato de que éramos feitos de pele e ossos, crescendo a cada minuto, confiando uns nos outros em uma sala feita de tijolos, cobertos por um teto e telhado feitos por mais pessoas que nem ao menos conhecíamos… Eu pensava em coisas como essas (e eu ainda penso).


Louco, não?


Em momentos secretos quando minha mente ficava absorta, eu refletia sobre os conceitos de escola, casa, mãe, pai e Deus – conceitos que todo mundo parece ter aceitado enquanto mastigava salgadinhos e enchiam as mãos de cola. Essas estranhas aflições da verdade me atingiam sem aviso, fazendo sentir-me pequena, isolada e um pouco receosa. Eu queria expressar o que eu sentia, mas não sabia como.


Quando nós dirigíamos pelos guetos sujos na minha cidade de Michigan, eu encostava meu rosto no vidro da janela do nosso carro com painel de madeira e às vezes minha mente se perdia em “porquês”. Por que deveríamos permitir que uma criança vivesse em um lugar tão assustador? Por que não eu? Por que tanta pobreza existe? Ninguém falava sobre isso. Por que apenas pessoas da mesma cor deveriam viver juntas? E de vez em quando, eu sentava na minha cama com um acolchoado de retalhos e pensava um pouco demais sobre a ideia de que eu tinha dois pais que me deram a vida e um dia eles iriam morrer. Ninguém falava sobre coisas difíceis, coisas estranhas, sobre as coisas bem a nossa frente – pobreza, dor, envelhecimento, morte, vida. Às vezes meu corpo, o mundo e o espaço sideral, tudo parecia uma bênção aterradora ou uma coincidência impossível.


À medida que cresci e comecei a desenhar para ganhar a vida, a pintar e a escrever, confirmei que, embora a criatividade seja comercializável, muitas pessoas consideram o pensamento incomum ameaçador, esquisito, perigoso - louco. Conformidade deve ser uma espécie de felicidade. Mas para mim, não expressar, não fazer perguntas, não pensar fora da caixa é impossível.


Hoje, como artista e mãe que mora em um país estrangeiro, percebo que os lampejos da realidade que eu tive a maior parte da minha vida (e especulo que todos têm) foram um convite, um vislumbre do espaço formado por Deus, mais vasto do que minha mente poderia completamente abranger. Meus pensamentos têm me atraído para longe da estrada reta. Eles me tiraram da falta de fé, da complacência, do mito de que só precisamos nos encontrar com pessoas que olham, agem e ganham dinheiro como nós. Meu instinto me afastou da ideia de que devemos nos concentrar primeiro em nós mesmas, de que devemos ser pais como nossos amigos, de focar apenas nas conquistas; de que devemos nos vestir de maneira semelhante, de que devemos pressionar a nós mesmas e a nossos filhos para que se tornem excepcionais, mas não necessariamente compassivos. Nós devemos ser mais rápidos em tudo. Nós devemos vencer. Não. Meu corpo diz não.


E o empurrão que vem de dentro às vezes (se eu prestar atenção) me afasta da teoria de que não devemos perguntar por quê. POR QUE não fazer perguntas, por que não viajar para o outro bairro, por que não abraçar o estranho, por que não chorar na frente uns dos outros, por que não admitir quando estamos confusos, sem fé, solitários, quando estamos com medo, quando estamos morrendo?


Mas hoje, enquanto tenho aprendido a escrever sobre algumas das minhas perguntas, meus pensamentos verdadeiros - decidi que talvez a fé vem com a coragem de manter os olhos e o coração abertos, não importa o quão louco isso pareça. A fé cresce quando olhamos diretamente para o vasto espaço onde Deus respira, onde a realidade espera em olhares inesperados, em lugares estranhos. Quando fazemos uma pausa e saímos de nossos mundinhos para nos encontrarmos com aquele de outra fé, para fazer amizade com a família sem teto, para refletir sobre a pergunta de uma criança sobre raça, para imaginar o desespero de outra mãe, para espreitar por cima de um telhado e apreciar a vastidão das estrelas, para suspirar com o milagre de um campo que leva aos Alpes suíços, para absorver a incrível sensação de estar nos braços de um marido. A fé vem nestes momentos.


E do nosso grito interior maluco (mas incrivelmente são) vem o dom de Deus batendo por dentro, incitando-nos a sair e fazer tudo o que fomos criadas para fazer - viver em verdade, gratidão, indignação. Viva naquilo que vemos, no que sabemos, no que realmente acreditamos.


Amy Aves Challenger é uma americana expatriada e escritora/artista que vive na Suíça. Ela é colaboradora da The MOPS Magazine e do The Huffington Post. Ela foi publicada no Washington Post, Mamalode.com, Brain, Child Magazine e Kind of a Hurricane Press. Leia sua poesia no Twitter @amychallenger e no Instagram.


Tradução livre por Elena Will - voluntária do MOPS Brasil desde 2014 Dedica seus dias amando ser mãe de 2 meninos, casada com o amor da sua vida, e envolvida com a visão e grupos de MOPS no Brasil.

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